"Não há que ter preconceito". Roupa em segunda mão ganha força entre contentores e lojas

"Não há que ter preconceito". Roupa em segunda mão ganha força entre contentores e lojas

Comprar roupa em segunda mão ganha popularidade, com vantagens para a carteira e para o ambiente. Reconhecendo o desafio crescente na gestão destes produtos, existe um projeto-piloto financiado pelo Fundo Ambiental para avaliar destinos de roupa usada e têxteis do lar.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Perry Merrity II - Unsplash

Preparar uma rede circular de têxteis usados: a APED, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, tem em mãos um projeto para prolongar a vida útil de roupas, calçado e outros têxteis de casa, como os lençóis da cama.

Existem 10 contentores em lojas aderentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. A recolha começou em abril e acaba este mês - era para terminar em junho, mas foi prolongada, ainda na expectativa de ir mais além que as oito toneladas de têxteis já recolhidas.

"Tínhamos até inicialmente estimado 15 toneladas", afirma Cristina Câmara, diretora de sustentabilidade da APED, defendendo que, apesar de faltar cerca de duas semanas para acabar julho, "estamos no bom caminho para atingir esse valor".
Cristina Câmara, da APED, em declarações ao jornalista Gonçalo Costa Martins | Contentor no parque de estacionamento de uma loja aderente em Lisboa

A responsável da APED diz que já foi atingido o mínimo necessário para testar as várias fases do processo. Após a recolha que está em curso, será feita uma triagem em Portugal ou em Espanha dos resíduos têxteis recolhidos, sendo analisado nesses operadores de triagem se pode haver um aproveitamento desses materiais.

"Aquilo que não tem potencial de reutilização é objeto de uma triagem por categorias, para depois ser encaminhado para outras formas de valorização", como a reciclagem, "sempre que isso é possível e viável", descreve.

Os mercados de venda em segundo mão são um dos destinos admitidos por Cristina Câmara para os têxteis que ainda têm vida útil. Mas Cristina Câmara sublinha que a rede de parceiros neste projeto-piloto está a ser estudada.

A iniciativa "Gestão Têxtil Circular" tem a duração de um ano e é financiado pelo Fundo Ambiental, envolvendo também a Agência Portuguesa do Ambiente. Pode ser deixado nos contentores, em sacos fechados, roupa, calçado, têxtil-lar (lençóis, cortinas e toalhas) e acessórios (cachecóis, luvas e outros acessórios de tecido). 

"Sabemos que isto é tudo um caminho de preparação e o que nós queremos aqui é gerar conhecimento", explica Cristina Câmara, de forma a "explorar os desafios e as oportunidades que existem no nosso país para depois apoiar a transição para um futuro sistema de gestão de resíduos têxteis que há de ser implementado" em Portugal.
"Não há que ter preconceito de usar uma coisa já usada"

Já existem estabelecimentos que vendem a roupa dispensada por uns e que é reaproveitada por outros. Um exemplo é a cadeia de lojas Humana. A RTP Antena 1 visitou uma dessas lojas, na baixa do Porto, onde a responsável Mónica Monteiro não tem dúvidas da mudança.

"Se inicialmente as pessoas vinham apenas por necessidade talvez económica de encontrar uma peça que coubesse no seu orçamento, atualmente vemos que realmente já há uma diversificação", diz.

Segundo esta responsável em Passos Manuel, a Humana tem três grandes objetivos: a sustentabilidade, os projetos próprios e o seu financiamento e a criação de postos de trabalho.
Reportagem de Miguel Soares - RTP Antena 1 | Na imagem: Mónica Monteiro, responsável da loja

Helena Gouveia é cliente por se encontrarem peças baratas e para evitar desperdícios. Diz que aproveita "o que as pessoas já não querem" e elogia os produtos de "grandes marcas" que por vezes existem a preços "irrisórios". Deixa um recado: "Não há que ter esse preconceito de usar uma coisa já usada". Outra cliente comenta: "Quando não serve para um, serve para outro". Já Laís e Alânia dizem-se rendidas à loja. 


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